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Além do Ponto Final

Além do Ponto Final

Seg | 07.09.20

Eleanor Oliphant is Completely Fine, de Gail Honeyman

Há uns tempos que queria ler este livro, já tinha ouvido imensa gente a falar sobre ele e, por isso, estava muito curiosa em relação à sua leitura. Fui um pouco sem expectativas, acho que a história nem me cativava muito, mas tinha curiosidade por saber que muita gente tinha gostado. Sinceramente, estou a escrever esta opinião sem ter percebido ainda se gostei, ou não, da história e do livro em si.

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Tal como o nome indica, Eleanor Oliphant is Completely Fine traz-nos a história de Eleanor, que acha que está tudo bem com ela e com a sua vida. Vou deixar aqui uma pequena nota, porque acredito que o nome do livro em português, A Educação de Eleanor, não está tão bem conseguido, já que perde grande parte da intenção do título original. Passando à frente, Eleanor é um ser humano peculiar, com poucas capacidades de socialização e sem o mínimo filtro social em relação ao que diz. Acha que é uma sortuda por ter um emprego, das 9h às 17h, que lhe permite pagar as contas e sobreviver, mesmo que não tenha amigos ou família e que a sua vida social seja nula. Tudo isto muda quando um dia, juntamente com Raymond, técnico de informática da empresa em que trabalha, salva Sammy, um idoso que perdeu os sentidos na rua. A partir daí, Eleanor começa a conhecer novas pessoas, a ir a eventos sociais e a perceber que a vida não é só trabalho.

These days, loneliness is the new cancer—a shameful, embarrassing thing, brought upon yourself in some obscure way. A fearful, incurable thing, so horrifying that you dare not mention it; other people don’t want to hear the word spoken aloud for fear that they might too be afflicted, or that it might tempt fate into visiting a similar horror upon them.

Acho que a personagem de Eleanor está extremamente bem conseguida, o livro é contado na primeira pessoa e o facto de estarmos a ver tudo como se fossemos a própria Eleanor acrescenta muito à história. Ao início estranhei muito o perfil da personagem, achei-a preconceituosa e instável e todo o seu comportamento mostrava que algo não estava bem. Achei difícil criar empatia com ela, até perceber que tudo tinha uma razão de ser, que Eleanor tem um passado traumático que acaba por moldar toda a sua visão do mundo e os seus próprios comportamentos.

No fundo, é um livro que nos mostra o impacto que pequenos gestos ou acontecimentos podem ter na vida de uma pessoa mais sensível, ou peculiar, à primeira vista. Eleanor desenvolve uma amizade muito bonita com Raymond, que a ajuda a conhecer uma nova vida e a perceber que não devemos viver solitários e negar a ajuda de outras pessoas. Achei muito interessante o facto de a amizade com Raymond ser retratada de uma forma que poderia, eventualmente, evoluir para uma relação amorosa, mas sem que esse seja o foco da narrativa.

Your eyes are always “on,” always looking; when you close them, you’re watching the thin, veined skin of your inner eyelid rather than staring out at the world. It’s not a comforting thought. In fact, if I thought about it for long enough, I’d probably want to pluck out my own eyes, to stop looking, to stop seeing all the time. The things I’ve seen cannot be unseen. The things I’ve done cannot be undone.

Assim, acho que gostei muito de conhecer Eleanor, apegar-me a ela, sorrir com ela, ficar triste com ela e sentir tudo o que ela sentiu. Achei um livro bem construído e admito que a evolução da personagem me emocionou muito. Ao fim da escrita desta opinião percebi, finalmente, que gostei do livro, da história e das personagens que conheci com ela. Não é um livro que me tenha apaixonado, mas continua a ser uma boa leitura. Quem já leu, concorda comigo?

                    

Avaliação: 7/10

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