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Além do Ponto Final

Além do Ponto Final

Sab | 06.03.21

O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde

O Retrato de Dorian Gray era aquele clássico que já tinha ouvido falar muito bem imensas vezes, mas que andava a adiar a leitura há meses. Entretanto uma amiga minha leu, gostou e aconselhou-me a ler e foi essa a motivação que precisei para pegar finalmente nele. Não se tornou numa leitura favorita, mas foi uma leitura muito interessante e da qual gostei mais do que estava à espera.

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Neste livro vamos conhecer Dorian Gray, um jovem de uma beleza e juventude extrema que aceita posar para Basil Hallward, um pintor londrino. Basil tem uma adoração por Dorian e acredita que o jovem é a razão da qualidade da sua arte. É numa das tardes em que Dorian posa para o pintor que conhece o seu amigo, Lorde Henry Wottom, aristocrata com uma visão muito própria do mundo, que acredita que as únicas coisas que valem a pena na vida  são a beleza, a juventude e o prazer. Quando confrontado com o futuro inevitável que a velhice lhe reserva, Dorian comenta que faria tudo para poder ficar jovem como o seu retrato para sempre. Não vou desenvolver muito mais, mas posso dizer que Dorian vai ficar, de alguma forma, ligado ao seu retrato.

Se há coisa que este livro tem é uma discussão sobre as diferentes formas de encararmos a vida e sobre como isso influencia as nossas decisões. Lorde Henry é uma personagem que aborda várias vezes a beleza e os seus valores, ou a importância do prazer, e acaba por ser a maior influência para a personalidade que Dorian vai desenvolver ao longo do livro. Por sua vez, Basil é movido pelas emoções e pela bondade, sendo muito ingénuo. Relativamente a Dorian, este vai ser como que a realização de Lorde Henry, no sentido em que o aristocrata “fala, mas não faz nada” e Dorian vai pôr em prática os seus valores e agir de acordo com eles.

As verdadeiras tragédias da vida acontecem muitas vezes de uma forma tão pouco artística que nos magoam pela crueza da sua violência, pela sua absoluta incoerência, por não fazerem qualquer sentido e serem totalmente desprovidas de estilo. (...) Por vezes, no entanto, acontece-nos deparar na vida com uma tragédia com elementos de beleza artística. Se esses elementos de beleza forem reais, a coisa apela ao nosso sentido de efeito dramático

Oscar Wilde tem uma forma muito filosófica de escrever e vai-nos apresentando imensas reflexões ao longo do livro, o que torna a leitura um pouco mais densa. Para dizer a verdade, estes foram momentos que, apesar de perceber que eram essenciais para a história, acabei por não gostar tanto. De qualquer das maneiras, é muito interessante ver a evolução da personagem de Dorian, que passa de ser um jovem encantador para um adulto detestável e que faz tudo pelas aparências. Além disso, acho que é impressionante a quantidade de situações que se passam no livro que seriam consideradas escandalosas para a época em que foi publicado (tanto que Oscar Wilde chegou a ser preso por causa do livro). É uma história carregada de críticas à sociedade inglesa do século XIX, moldada pela futilidade e movida pelos valores errados.

A consciência e a cobardia são, ao fim e ao cabo, a mesma coisa, Basil. A consciência é apenas a fachada. Nada mais

Acho que esta foi uma leitura que me acrescentou muito e que me fez refletir sobre ela, porque há imensas partes do livro que podem ter interpretações mais profundas. Apesar de ser um livro que exige todo um mood para ser lido, aconselho muito a sua leitura. É daqueles que devemos ler pelo menos uma vez na vida!

                       

Avaliação: 7,5/10